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Márcia Denser: Cerra, Ruçomano & houtras hecatombes

outubro 11, 2012

Cerra, Ruçomano & houtras hecatombes

Por Márcia Denser

Fernando Haddad surge como uma opção verdadeira numa eleição controversa e plena de absurdos eleitorais

Só por puro masoquismo o eleitor paulistano reelegeria Cerra no segundo turno.

Porquanto Ruçomano – a outra hecatombe alucinógena – foi afastada, graças possivelmente a alguma espécie de iluminação à beira do abismo que acometeu unanimemente todos os candidatos a prefeito em Sampa, fazendo de Ruçomano não só o alvo comum de todos os ataques, como rigorosamente de tiro ao alvo. Mas foi por pouco, dada a votação (tipo 22%) relativamente expressiva da abantesma em pauta.

Voltando ao Cerra, repito: só por puro masoquismo o eleitor paulista reelegeria o nosso vampirinho de plantão pro segundo turno, configurando algo como “o Retorno do Ressentido”, parafraseando malandramente Lacan, sem contar a Antecipação do Esquecimento (uma vez que já não se trata de Falta de Memória Política), tão comum ao homo otarius paulistano, classe média-média e média-alta, conformado após duas décadas de gestões tucano-demoníacas, cujo julgamento eleitoral vai mixando, sem mais aquela, política, religião & mensalão.

Memória que desde já me proponho a refrescar não fosse esse mesmo Cerra a assinar e referendar em cartório, jurar de pés juntos que “jamais deixaria a prefeitura em 2008” e, também sem mais aquela, dar no pé pra se candidatar à Presidência – o que, do meu ponto de vista, foi esplêndido, não só por deixar a gestão da minha cidade em troca duma Presidência que, de qualquer jeito, ele ia perder – contudo legando uma herança maldita – representada por Kassab, o pupilo autista-autoritário-come quieto de Jorge Bornhausen – pro paulistano amargar durante oito anos intermináveis.

E terminando o mandato com uma rejeição história de cerca de 60%, o sujeitinho é perito em soltar contramedidas e manobras divergentes, tipo retirar saquinhos plásticos do supermercado, impor silêncio nas feiras livres, proibir cartazes na cidade & bobagens afins, enquanto dá-lhe obras e mais obras no melhor estilo Maluf (que a grande mídia faz questão absoluta de NÃO REPORTAR), ganhando por fora das empreiteiras e cujo único legado é ter incrementado – infinitamente – a Parada Gay em Sampa!

Tais gestões tucano-demoníaco-privatistas transformaram a Sampa dos anos 70 – dum cosmopolitismo que prometia uma espécie de mix de Nova York com Hong Kong e naturalmente pré-TeaParty – nesta pós-Sampa dos anos 2000 – uma Mega-Curitiba, atrozmente conservadora, provinciana, careta, tacanha, “politicamente correta” e caipira (cruzes!). Um estado – e respectiva capital – literalmente oco. Sinceramente, dá vontade de mudar pra Pago-Pago!

Quanto a Serra, lembramos ainda seu comportamento autoritário, inacessível, irascível, tipo tirano não-esclarecido (burro mesmo), sua estratégia política truculenta, diante das greves dos professores, policiais, etc.etc.etc. Em suma: seu alheamento e tolerância zero perante qualquer reivindicação, inclusive do próprio eleitorado, até porque o paulista (capital e estado), por algum motivo que me escapa completamente, vota sistematicamente em quem administra CONTRA os interesses da população que o elege!

Por isso, nós – intelectuais, professores, artistas, formadores de opinião – desta vez, nos reunimos num movimento sem precedentes em vários anos – mais de vinte, trinta? – em torno de Fernando Haddad porque, além de qualificado, carismático e com propostas sociais claras e concretas, surge como uma opção verdadeira numa eleição controversa e plena de absurdos eleitorais.

Aliás, Fernando Haddad é nossa Única Opção, salvo zebras posteriores, nas quais absolutamente não acredito, até porque, apoiado por todos nós, Haddad terá uma responsabilidade redobrada e por uma razão muito simples: nós vamos cobrar.

Quem somos “nós”? Antonio Cândido, Dalmo Dallari, Marilena Chauí, Paul Singer, Gabriel Cohn, Zé Celso Martinez Correia, Maria Rita Kehl, João Adolfo Hansen, Sergio Miceli, Márcia Denser, Roniwalter Jatobá, Luiz Gê, José Miguel Wisnick, Ermínia Maricato, Maria Vitória Benevides, Olgaria Matos, Altamiro Borges, André Singer, Celso Favaretto, Ismail Xavier, Ladislaw Dowbor, João Sette Withaker, Laura Mello e Souza, Luiz Roncari, Raquel Rolnik, Ricardo Musse, Vladimir Safatle, etc.etc.etc.

By the way: eis os “intelectuais” de Cerra: FHC (of course) Bruna Lombardi (who?) e Agnaldo Timóteo – que, por falar nisso, não se reelegeu.

Que descansem em paz.

ET: Querem apostar que NÃO vai ter debate na Globo (sobretudo na Globo)? Na civilização da imagem, qual é o maluco do marqueteiro que iria reeditar Serra-Nixon vs Haddad-Kennedy?

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