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Recordar é viver: MANIFESTO DOS CINCO MIL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

outubro 15, 2012

No dia dos professores, é interessante relembrar o que diziam os professores sobre José Serra, em 2010, quando das eleções presidenciais. Na ocasião mais de cinco mil professores universitários de todo o país, assinaram documento intitulado Manifesto dos Cinco Mil em Defesa da Educação, cuja texto iniciava denunciando os “métodos políticos da candidatura Serra”, lembrando que “seu histórico como governante preocupa a todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país”. De 2010 para cá, Serra e os interesses políticos que representa em nada mudaram, não por acaso até agora não apresentou um plano de governo para a cidade, bem como sua atual campanha para a prefeitura de São Paulo, no lugar de discutir temas relevantes para cidade, prefere rebaixar o debate e intruduzir questões moralistas e/ou preconceituosas.

Nesse sentido, o manifesto lançado pelos professores universitários em 2010, contando com assinaturas de intelectuais como, por exemplo, Antonio Candido, Alfredo Bosi, Fábio Konder Comparato, Carlos Nelson Coutinho, Eduardo Viveiros de Castro, Luiz Felipe Alencastro, Joel Birman, Guido Antônio de Almeida, Marilena Chaui, Ismail Xavier, Sergio Miceli, Laymert Garcia dos Santos, Renato Ortiz, Dermeval Saviani, Modesto Carone,  é mais do que atual. Assim, vale a pena resgatar este documento, cuja íntegra e signatários podem ser conferidos a seguir:

MANIFESTO DOS 5000 EM DEFESA DA EDUCAÇÃO

Nós, cinco mil professores universitários das principais universidades do país, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais. Leia mais…

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Márcia Denser: Cerra, Ruçomano & houtras hecatombes

outubro 11, 2012

Cerra, Ruçomano & houtras hecatombes

Por Márcia Denser

Fernando Haddad surge como uma opção verdadeira numa eleição controversa e plena de absurdos eleitorais

Só por puro masoquismo o eleitor paulistano reelegeria Cerra no segundo turno.

Porquanto Ruçomano – a outra hecatombe alucinógena – foi afastada, graças possivelmente a alguma espécie de iluminação à beira do abismo que acometeu unanimemente todos os candidatos a prefeito em Sampa, fazendo de Ruçomano não só o alvo comum de todos os ataques, como rigorosamente de tiro ao alvo. Mas foi por pouco, dada a votação (tipo 22%) relativamente expressiva da abantesma em pauta. Leia mais…

TÁ TUDO DOMINADO!

outubro 8, 2012

por Ricardo Musse

 Perdoem-me meus amigos da revista Carta Capital, mas se há um grande vencedor nas eleições municipais de 2012 é a presidente Dilma Roussef.

Ela conseguiu se desvencilhar com desenvoltura da armadilha inerente a uma disputa local na qual os partidos da base quase inevitavelmente tendem a se confrontar com certa dose de virulência. Surpreendendo a todos que acreditaram no estereótipo (reforçado pelo seu marketing pessoal) de que ela seria pouco afeita às articulações políticas, Dilma movimentou-se com uma perícia equiparável à ação dos principais políticos brasileiros, um grupo historicamente restrito. Não só conseguiu evitar o descontentamento e a temida (e muitas vezes anunciada) desagregação de sua base de apoio, como logrou contentar a quase todos, desferindo golpes fatais sobre a oposição.

A avaliação das eleições municipais não pode deixar de considerar uma antítese que lhe é constitutiva, de antemão. Os eleitores decidem o voto em função de fatores e prioridades locais, mas, ao fazê-lo elegem partidos que são, por definição, nacionais. Grosso modo, podemos agrupar as forças em disputa em três grandes blocos: o de oposição (DEM, PSDB, PPS), o da assim chamada base aliada (PMDB, PSB, PDT, PRB, PP etc.), e o constituído pelo PT e seu aliado mais próximo, o PCdoB.

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Haddad está no 2º Turno

outubro 7, 2012

Por que ler o Programa de Governo de Fernando Haddad para a cidade de São Paulo nesta primavera?

outubro 6, 2012

A leitura é um ato político de interpretação da realidade e escrever, uma escolha que cria laço social, implica renúncia e tem um preço. Escolher é desejar. Seu preço não pode ser pago com “uma libra de carne”, mas enfrentando as pulsões destrutivas, agressivas, devastadoras e catastróficas criadas pelo processo civilizatório. Negar esse mal-estar na cultura é preservar-se na ignorância.

O ato de um candidato que escreve e assina uma proposta cultural com diretrizes para tornar a cidade de São Paulo mais humana é uma escolha pessoal e coletiva.  Pagar o preço de suas escolhas é responsabilizar-se por elas. Em política não há ingenuidade.

O candidato que não assume a responsabilidade por seus desejos e escolhas não escreve, nem assina proposta. E se ainda assim o faz, pode rasgá-la na esperança de que seu ato seja neutro e não o responsabiliza politicamente.

Não escrever é uma opção: cada um é livre para falar qualquer coisa, em qualquer lugar, como uma biruta que muda o discurso de acordo com o vento. Mas isso também tem um preço.

Maria Noemi de Araújo é psicanalista, doutora em Educação

Paulo Martins

outubro 6, 2012

Não podemos mais aceitar que em São Paulo sejamos assolados por uma onda de reacionarismo fascista como estamos vendo agora com a “popularidade” alcançada por certos candidatos. De um lado o inominável apelo à fé, que deslocada, por assim dizer, conduz o eleitor ao que não existe; de outro, um continuísmo travestido de novidade, que impele a classe média a uma suposta garantia de algo que não possui mais, dignidade.

Assim, me parece que a candidatura de Haddad é a única capaz de garantir uma gestão do município de acordo com os princípios de democracia e justiça social pelos quais sempre lutei e nos quais não deixarei de acreditar jamais.

Paulo Martins é professor de literatura na USP

Chistian Dunker

outubro 6, 2012

A segregação começa pela impossibilidade de fazer das diferenças um princípio de produção cultural. É pela cultura que aprendemos a nos reconhecermos para além de nós mesmos. É por ela que transmitimos nossos sonhos. É com ela que compartilhamos nossos sofrimentos. Cultura não é só um conjunto de eventos, exposições e shows, ou uma acumulação de saberes e valores. Cultura é o exercício para uma vida que ainda pode vir a ser. Fernando Haddad é a expressão desta mudança tanto na política cultural quanto na cultura da política.

Chistian Dunker é professor do Instituto de psicologia da USP